Plantas do agreste e do sertão inspiram chef de Recife

Com alma de pesquisador, Marcos Nascimento desenvolve o Projeto Bioma da Caatinga e elabora receitas com plantas alimentícias não convencionais.

Arupemba do sertão: feita de massa de pizza, a maior é uma entrada de carbonara com palma. A menor é de carne moída com palma. Fotos: Miguel Igreja
Arupemba do sertão: feita de massa de pizza, a maior é uma entrada de carbonara com palma. A menor é de carne moída com palma.
Fotos: Miguel Igreja

Logo após concluir o curso de Tecnologia em Gastronomia, o chef Marcos Lôbo Nascimento, de Recife, PE, procurava um tema para continuar suas pesquisas acadêmicas. Conversando com um dos professores, teve a ideia de desenvolver um projeto a partir de seus conhecimentos sobre o Bioma da Caatinga e a cultura PANC – Plantas Alimentícias Não Convencionais.

Com o acompanhamento do doutorando Antônio Gomes, o chef Marcos iniciou o projeto, que foi apresentado pela primeira vez no Paço Alfândega, em Recife, e “ganhou a estrada pelos interiores do agreste e do sertão”, ele conta. Depois, a apresentação passou para escolas estaduais de Educação Profissional, cursos e universidades que convidam o chef para abordar o tema.

Marcos Lôbo inclui em suas palestras as receitas elaboradas com as plantas estudadas para seu projeto. Esses pratos estão no cardápio do Espaço Cultural Muzenza, da ilha Fernando de Noronha e farão parte do livro que ele lançará em outubro, com 50 receitas ilustradas e informações sobre sua pesquisa.

Fava do sertão
Fava do sertão

Para ele, o Projeto Bioma da Caatinga, que hoje é uma palestra, futuramente será aplicado na prática pela população. “Espero que esse conhecimento seja usado para a sustentabilidade das cidades que fazem parte do bioma”, afirma.

Conheça mais sobre o assunto no artigo do pesquisador. (SL)

 

Projeto Bioma da Caatinga

 

Chef Marcos: produzindo livro com 50 receitas.
Chef Marcos: produzindo livro com 50 receitas.

Chef Marcos Lôbo Nascimento

 

De acordo com o IBGE, bioma é um conjunto de vida vegetal ou animal. O Bioma da Caatinga é o principal ecossistema existente na Região Nordeste, estendendo-se em uma área de 844.453 Km² ou 9,92% do território nacional, segundo dados desse Instituto.

A vegetação da Caatinga se caracteriza por formações de plantas secas e espinhosas, arbustos e pequenas árvores. Mas também tem a cultura PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais) com o mandacaru, umbu, coroa de frade, palma, facheiro, serralha, pitanga, mandioca, fava, macaxeira, batata doce, umbu e suas folhas, seringuela e suas folhas e outras floras que só o sertanejo conhece. Essas plantas podem se constituir em importantes fontes alimentares, devido à sua composição nutricional e, com técnicas adequadas de preparo, tornarem-se comidas saborosas, sendo inclusive uma forma de cultivo sustentável por já fazerem parte do bioma local do sertão.

Os hábitos alimentares das populações sertanejas estão intimamente relacionados com as questões históricas do processo de colonização e com os fatores climático-geográficos da região. O uso de produtos resistentes à seca surge como última opção e, normalmente, atrelado a preconceitos no consumo por serem utilizados como ração animal.

Trilha do sertão: carne de boi com palma, molho de flor de mandacaru e palitos de massa de pizza com mandacaru.
Trilha do sertão: carne de boi com palma, molho de flor de mandacaru e palitos de massa de pizza com mandacaru.

O Projeto Bioma da Caatinga é uma vivência de mudanças para o sertanejo que, nestes 50 anos, conviveu com a seca e passou a acreditar na sua flora como forma de complemento alimentar não só para os animais e, sim, também para sua sobrevivência. O sertanejo quebrou o preconceito de que a vegetação, no período de longas secas, não poderia mantê-lo e passou a entender que cada ingrediente tem seu valor no preparo de receitas que fazem parte dos pratos que leva para sua mesa.

Fugir desse preconceito foi demorado, pois só o sertanejo entende a flora do seu bioma e sabe que ela não foi criada por acaso. Ser filho de um sertanejo e aprender a usar a flora do seu bioma desde a minha infância me fez ver, depois da minha volta ao Nordeste, que as preparações que aprendi ainda criança não podiam ser esquecidas. Assim, retornei aos meus estudos e viajei para várias localidades que fazem parte do Bioma da Caatinga para coletar material de pesquisa.

Visitando várias cidades, como Surubim, Taquaritinga do Norte, Vertentes, Gravatá, Garanhuns, Madre de Deus, Caruaru, Bezerros, Canindé de São Francisco, Inhapi, Beberibe, Itapajé e Baturite, abracei com empenho a proposta de divulgar a Gastronomia PANC do agreste e do sertão.

Mouse com flor de mandacaru e calda de azeitona ou jamelão
Mouse com flor de mandacaru e calda de azeitona ou jamelão

Como filho do agreste e do sertão, vivenciei toda a seca e fome que vi o povo passar, durante muitos anos, e buscar uma forma de completar sem preconceito toda esta cultura me fez pensar como cozinheiro.

O mais importante de tudo isso foi que, a partir do conhecimento de quem vive no semiárido, montei um projeto transformando a flora do bioma em receitas que por 50 anos estão ali alimentando o povo da zona urbana das cidades do interior e da zona rural, pois não podia deixar que as receitas originais se perdessem no tempo. Para mim, levar o conhecimento da flora às escolas e aos vilarejos da zona urbana e rural e falar da cultura PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais)do bioma significa mostrar o valor nutricional de cada planta e trocar conhecimento sobre esses ingredientes que estão ali, em cada quintal ou até mesmo nos terrenos das cidades. Ensinar como usara flora do bioma como forma alimentar é proteger seu caráter e sua vida!

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Chef Marcos Lôbo Nascimento – Tecnólogo em Gastronomia pela Universidade Maurício de Nassau (PE), com diversos cursos complementares na área de Alimentos & Bebidas e participação em eventos do setor de vários Estados brasileiros. Atuou em restaurantes de São Paulo (SP), Petrópolis (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e Recife (PE). Atualmente, é consultor em Gastronomia pela ML Consultoria SA e apresenta o Projeto de Gastronomia do Bioma da Caatinga nas regiões do agreste e sertão, além de se preparar para o mestrado em Bioquímica dos Alimentos. Contato: mlobo199@yahoo.com.br.

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23 comentários em “Plantas do agreste e do sertão inspiram chef de Recife

  • 22/07/2017 em 11:14 am
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    Admiro muito o trabalho do chef Marcos, como seu ex-professor e agora colega de profissão. Parabéns!

  • 21/07/2017 em 6:27 pm
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    Esse Chef Marcos Lobo está sempre Arrasando sempre nos mostrando que do mais simples se pode criar coisas fantásticas.

  • 21/07/2017 em 4:43 pm
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    Incrivelmente maravilhoso

  • 21/07/2017 em 3:39 pm
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    Parabéns!
    Marcos Lobo a você todo meu respeito e adimiracao por seu trabalho e sua dedicação !
    Honra em ser sua aniga !
    Uum prazer saborear seus pratos!

  • 21/07/2017 em 2:38 pm
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    Parabéns pela conquista meu amigo acompanhei uma parte de sua luta em busca de seus objetivos vi o quanto era difícil mas não impossível estou muito agradecida a DEUS pela sua vitória e feliz pela sua realização meu amigo, você merece tudo de bom que Deus te abençoe sempre é continue fazendo o que você mas gosta que é cozinhar e fazendo esses espetáculo de pratos serás sempre admirado e em breve estarei aí pra degustar dessas delícias . Parabéns pela vitória.

  • 21/07/2017 em 1:53 pm
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    Parabens. Marcos amigo. de faculdade, Deus o abençoe e sucesso. vc merece

  • 21/07/2017 em 1:24 pm
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    Agradeço a todos pelas palavras de apoio.

  • 21/07/2017 em 12:36 pm
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    Muito interessante este projeto no Chef Marcos Lobo, divulgando a gastronomia PANC, contribuindo para a sustentabilidade do Bioma e abrindo os olhos dos nordestinos para o tema até então desconhecido para vários, parabéns Chef!

  • 21/07/2017 em 12:19 pm
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    Parabéns pelo trabalho diferenciado desejo super sucesso

  • 21/07/2017 em 12:06 pm
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    Precisamos de mentes recheiada de sabedoria e inovadora, como nosso amigo Marcos Lobo e outros . Sempre em busca de soluções criativas de acesso a todos , Parabéns.

  • 21/07/2017 em 12:03 pm
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    Fico fascinada quando vejo a dedicação de uma pessoa em fazer a diferença em prol de outras. Através da culinária Marcos Lôbo Nascimento pode mostrar suas criações, transformações e descobertas nesse mundo mágico, que nos proporciona momentos maravilhosos de saborear alimentos diferenciados, diria até exóticos e bem relevantes da nossa região. Um profissional focado, determinado e com certeza deixando sua marca registrada na gastronomia. Parabéns e sucesso, sempre!

  • 21/07/2017 em 11:54 am
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    Tive o prazer de conhecer o Marcos em um evento em Araraquara … seu talento e sua dedicação são admiráveis …
    Acompanho sempre seu trabalho … sucesso sempre Amigo …
    Forte Abraço !!!

  • 21/07/2017 em 11:51 am
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    Sensacional esse meu amigo chef Marcos Lobo ,esse projeto do Bioma da Caatinga é fantástico !
    Parabéns e sucesso !

  • 21/07/2017 em 11:50 am
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    Eu adoroo todas as receitas os pratos são lindos e VC come primeiro c os olhos. A criatividade é impressionante adorooooo.

  • 21/07/2017 em 11:43 am
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    Parabéns pelo seu talento!

  • 21/07/2017 em 11:26 am
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    É muito bom saber que em Recife temos chef com alta competência capaz de fazer saborosas comidas com plantas regionais…
    Espero saboreá-las um dia!!
    Parabéns pelo talento!

  • 21/07/2017 em 11:18 am
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    Marcos Lobo desenvolve um louvável trabalho no que diz respeito a gastronomia.Através de suas receitas com ingredientes não convencionais,instiga-nos a conhecer melhor nossa cultura,nossa natureza,além de nos oferecer um gama de opções referentes a utilização inteligente de nossas plantas.Palestras ,oficinas,projetos.O Chef é alguém muito ativo,alguém cujo trabalho admiro,garra,criatividade,senso de sustentabilidade,um artista dos alimentos que manipula como ninguém excêntricos itens em visuais e divinos pratos,parabéns.

  • 21/07/2017 em 11:11 am
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    Muito interessante esse trabalho. Pois elementos que não eram utilizados adequadamente hj sao servidos com requintes de qualidade criados pelo chef. Marcos lobo.

    Pós

  • 21/07/2017 em 11:02 am
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    Como a nossa terra tem uma variedade rica de alimentos e nós sempre ficamos limitados as tradicionais. Que a cultura PANC abra outros caminhos para todos esses alimentos.

  • 21/07/2017 em 10:47 am
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    Bom todos esses recados estão no Facebook mais gostaria que meus seguidores escrevesse aqui no site da revista…
    Marcos Lôbo Nascimento Agradeço a Sueli e a revista sucesso na cozinha por acreditar no meu trabalho.
    Lucia Costa Sucesso!!!
    9 de julho às 08:06
    Marta Nascimento Perfeito
    19 de julho às 21:44
    Sandra Valéria de Carvalho Vindo de Vc amigo só esperamos coisas boas
    Ontem às 07:15
    Ivone Lopes Meus parabéns amigo que Deus te abençoe e de muitas vitórias
    há 22 horas
    Flavia Silva Quando eu crescer quero ter essa inteligência.
    · 1 · 23 h
    Roberta Martinsde Você merece todo mérito por seu empenho e dedicação!
    1 · 17 h
    Sucesso na Cozinha
    Sucesso na Cozinha Parabéns, chef Marcos Lôbo Nascimento. Seu artigo está sendo um sucesso! Abraços!
    · 1 · 16 h
    Jane Silva Parabéns meu amigo!
    1 · 13 h
    Ana Lôbo Nascimento Eu provei! Delicioso!
    Will Malta É muito talento. Ainda vou trabalhar com você rs
    1 · 11 h
    Erizalda Sousa Mais ta lindos
    1 · 9 h
    Renata Munstein Parabéns!!!!

  • 21/07/2017 em 10:30 am
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    Obrigado pelas palavras e por experimentar meus pratos…Fico feliz por isso e por acreditar em meu trabalho…

  • 20/07/2017 em 8:19 am
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    De tudo dá para comer.
    E só ter o talento certo por trás.
    O simples fica chique.

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