Novo food truck confirma adesão à tendência

Pesquisas levaram ao aço composto para o trailer. Foto: Luanda Marino/Divulgação
Pesquisas levaram ao aço composto para o trailer
Fotos: Luanda Marino/Divulgação

 

Com a inauguração do O Diferentão, o segmento de alimentação fora do lar ganha mais um operador atento à preferência do público pela praticidade oferecida pela comida de rua com qualidade.

 

Sueli Lafratta

 

No cardápio, o inusitado carne louca de costela.
No cardápio, o inusitado carne louca de costela!

A família de Luana Marino está em festa! Sua mãe Neusa, ela e seu marido Fábio Alves acabam de inaugurar O Diferentão, um food truck que nasceu da proposta de oferecer lanches e pratos artesanais e diferenciados. Segundo Luana, a ideia de empreender neste tipo de canal de vendas surgiu depois que verificaram, por diversas vezes, que nas feiras gastronômicas não há oferta de lanches diferentes. “Estão sempre presentes os tradicionais hambúrgueres gourmet, hot dogs ou lanches de carne suína”, ela constata.

Para decidir sobre o melhor tipo de cozinha sobre rodas, a família pesquisou preços e materiais de fabricação pela internet. Levando em conta a durabilidade e a facilidade de higienização, a escolha foi encomendar um trailer em alumínio composto. De acordo com a empresária, o custo teve grande influência nas dimensões do equipamento e na disposição dos itens internos.

Banana da terra empanada
Banana da terra empanada

Gestão compartilhada

 

O tradicional buraco quente confirma o sucesso
O tradicional buraco quente confirma o sucesso

Cada sócio tem sua função definida na gestão do O Diferentão: dª Neusa é responsável pela produção dos quitutes; Luanda faz as compras e montagem dos lanches, além de atuar na área de marketing e agenda de eventos do negócio, e Fábio se encarrega do atendimento ao público e da administração.

 

Em conjunto, eles pesquisaram e definiram o cardápio, selecionando os pratos aos poucos. “O primeiro a ser escolhido foi o buraco quente e depois a batata rústica, pois vimos que os pratos provados em feiras gastronômicas sempre eram industrializados. Por isso optamos pelo diferencial de todos os itens do cardápio serem feitos artesanalmente”, Luanda explica.

Wrapp de creme de palmito para veganos
Wrapp de creme de palmito

 

Inaugurado no município de Guarulhos (SP), o trailer oferece uma atraente variedade gastronômica: lanches de carne louca, carne louca de costela, buraco quente com queijo mussarela maçaricado, buraco nordestino (carne seca) com queijo coalho, lagarto (lanche frio), linguiça prensada, wrapp de peito de frango, wrapp de creme de palmito (vegetariano/vegano), batata rústica e banana da terra empanada. As opções de molhos servidos com a batata, banana e também passados nos pães dos lanches são alho, tártaro e picante.

 

Modelo inovador

 

A venda de alimentos na rua é uma atividade antiga, porém o uso de cozinhas sobre rodas ganhou força a partir da primeira década deste século. Com o fechamento de diversos restaurantes durante a crise econômica norte-americana, os chefs perceberam uma oportunidade de vender na rua comida considerada como alta gastronomia, mas de baixo custo.

 

No Brasil, no início de 2014, a cidade de São Paulo foi pioneira dessa tendência trazida de Nova York, que logo se espalhou por outras localidades. Porém, de acordo com estudo do Sebrae, somente os estados de São Paulo e Rio de Janeiro possuem legislação em vigor para os food trucks. No entanto, todos os empreendedores devem seguir a legislação nacional da Anvisa referente às boas práticas de manipulação em serviços de alimentação.

 

Os trucks também precisam obedecer às regras dos bombeiros quanto à brigada de incêndio e PPCI (Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio) e se adequar ao que determina o Denatran.

 

A Lei Municipal 15.947/13 e o Decreto Municipal 55.085/14, ambos de São Paulo, foram os primeiros do País a regularizar o comércio de comida de rua e a emissão do Termo de Permissão de Uso – TPU. Estas regulamentações servem para food trucks, barracas, carrinhos, quiosques, trailers e tabuleiros.

 

No caso dos food trucks, a preferência de veículos recai em furgões, trailers, camionetes ou caminhões adaptados. E os tipos de produtos a serem comercializados são variados: tapiocas, crepes, tacos, massas, sanduíches, comida vegetariana, hambúrgueres, hot dogs, pizzas, comida regional, brigadeiro gourmet, doces, sorvetes e muitos outros.

 

Voz da experiência

 

Proprietário há um ano e meio do Expresso XVIII, food truck especializado em pizzas fatiadas para eventos e feiras gastronômicas, Sérgio Simone Lopes recomenda que o primeiro passo é saber o que vai vender. “Desenvolver pesquisa de mercado e fazer degustação com a família ajuda a perceber o que oferecer ao cliente”, afirma.

Sérgio: "há seis formas de trabalhar com o food truck". Foto: SL
Sérgio: “há seis formas de trabalhar com o food truck”.
Foto: SL

 

Sérgio atua em Goiânia (GO) e cidades turísticas da região. Com base em sua experiência, ele também aconselha ao interessado a tratar a operação como negócio, pois é uma pequena empresa. “A pessoa deve ser MEI (Micro Empreendedor Individual), procurar o Sebrae e outras consultorias para dar suporte.”

 

Ele explica que há seis formas de trabalhar com o equipamento: parada em local público; feiras livres (em Goiânia, a tendência de muitos feirantes é substituir as barracas por trucks); eventos (até em condomínios fechados) e festivais gastronômicos; food park; eventos particulares (aniversários) e corporativos; shows e grandes eventos públicos.

 

“O operador tem que saber que vai trabalhar muito, pois não é fácil puxar trailer e o custo de manter o veículo sempre revisado é alto”, o empresário alerta. “Os fabricantes cobram caro para montar o truck e acaba havendo aluguel como em qualquer negócio porque tem que ter uma cozinha industrial, com as regras da Vigilância Sanitária, para o preparo dos alimentos”, ele completa. Mesmo assim, Sérgio avalia o negócio como vantajoso e dá dicas: o empresário pode se especializar em um produto específico e, com um cardápio reduzido, ter mais tempo para atender e vender. “Dentro da culinária, a qualidade é inversamente proporcional ao tempo, mas a qualidade é o atrativo principal”, finaliza.

 

No artigo Food Truck: uma nova tendência, recentemente publicado digitalmente pelo Sebrae, é analisado o modelo de negócio food truck, com importantes informações sobre mercado, gestão, regulamentação, constituição de empresa, como montar e custo do investimento. Também há vídeos sobre as oportunidades nesse segmento e opções de cursos a distância para os empreendedores.

 

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